quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Aborto pra quem?

Quando falamos de aborto vem logo um milhão com pedras na mão e nem buscam entender a importância que a legalização tem para a sociedade.

O que acontece, é que independente de querer abortar o aborto deve ser legalizado, não só por uma questão de saúde publica, já que na grande maioria das vezes quem aborta é a mulher sem condição de ter um filho, sem informação e que tem medo de ser julgada, mas também por ser um direito da mulher decidir o que fazer com o seu corpo.
O aborto nunca vai ser uma coisa feliz, a mulher NUNCA vai fazer um aborto todo mês como é a opinião de muitas para defender os contras, abortar não é legal, não é divertido, mas também não é tabu.
Não é porque uma mulher abortou que ela se tornou menos mulher por isso, ou vai receber um castigo divino e não ter filhos no futuro, isso é balela de fanático religioso que nem ao menos tem argumentos para entrar em assunto de religião.
Mas entre todos os motivos, que são vários, o mais importante é a dignidade da mulher que é destruída ao engravidar.
"Ah mas na hora de transar ela não pensou nisso."
E a mulher não pode transar mais porque engravida? Ela deve se privar dos prazeres porque a sociedade a julga uma pessoa ruim por transar? Claro que não. "Ah mas existem milhares métodos contraceptivos" Na verdade não existe não, existem alguns contraceptivos, dentre eles só um para homens que é a camisinha. Camisinhas não são 100% seguras, elas estouram, contraceptivos a base de hormônios muda todo o funcionamento do corpo da mulher e a maioria das vezes ele diminui tanto o libido que chega a ficar quase inexistente, além de problemas com trombose e sendo atribuído ao uso de anticoncepcional várias mortes de mulheres por ano. Diu, a grande maioria dos médicos cobram para fazer, muitas vezes para fazer pelo sus é tanta burocracia que a maioria desiste.Fora o fato de que a grande maioria que coloca o corpo rejeita.
Agora esses contraceptivos é a realidade de poucas mulheres, 42% das pessoas desconhecem qualquer método contraceptivo. E são essas mulheres, essas que são a grande maioria na mesa do necrotério. Essas que se tiverem um filho são expulsas de casa, essas que vão ser mal falada, julgada e muitas vezes vão até apanhar até perder a criança de seus parceiros. Que vão ouvir que a culpa é delas, que são vagabundas, que abriram a perna e agora tem que arcar com as consequências, que vão sofrer o tão comum aborto paterno, que vão ouvir que dão para todo mundo, que vão até a vizinha implorar pela agulha de trico e morrer com o útero perfurado virando mais uma vez estatistia.
Agora a grande realidade do que acontece quando essas mães sem informação, julgadas, machucadas, sozinhas tem um filho (não estamos aqui para falar das exceções caso você conheça alguma parabenize essa pessoa profundamente, ela foi uma guerreira e ainda assim enfrenta o duro tribunal social), seu filho não era desejado, veio da dor e do sofrimento, mas ao nascer ela o quis, porque ele era frágil e não tinha mais ninguém, então ela saiu do hospital, depois de sofrer violência obstétrica, saiu sozinha com seu bebe nos braços, sem ter para onde ir. Mas ela conseguiu um lugar na favela, um barraco que não molhava quando chovia, mas não tinha comida. Tentou então por a criança em uma creche publica, nenhuma tinha vaga, lista de espera de quase 5 anos. Mas ela tinha sua vizinha, por alguns trocados no final do dia a mulher tomava conta de 20, até mesmo 30, crianças que ali cresciam. E então ela foi em busca de emprego, mas não tinha terminado a escola, ela sabia limpar a casa, sempre limpou a bagunça do pai e dos irmãos para ajudar a mãe, então foi ser doméstica, limpava a casa das madames por alguns trocados que conseguia. Mas a madame saia toda tarde e seu marido voltava para lhe fazer companhia. E ali ele ficava, cercando, até que um dia depois de muito ela chorar ele conseguiu, estuprou a menina. A esposa acreditou que ela era oferecida, na rua com mais um filho na barriga e sem dinheiro não sabia o que fazer. A criança nasceu, ela pensou em dar para adoção, mas a vizinha falou "Mãe que é mãe não abandona filho não" então ela ficou com mais uma criança, sem saber o que fazer, até que uma outra vizinha deu a sugestão "vai para avenida, lá eles vão pagar o seu pão". E ela foi, foi humilhada, abusada, amarrada, apanhou, chorou, mas foi, dia após o outro porque não sabia o que fazer, mas seus filhos tinham que comer. E eles cresceram, ela na rua, começou a usar cocaína para conseguir trabalhar noite e dia e seus filhos cresceram, no meio daquela gente sem oportunidade, ouvindo que as coisas iam mudar e nada mudava, ouviam a mãe chorar todos os dias quando chegava da avenida, resolveram ajudar. O mais velho largou a escola, foi ser pião, fazer prédio, o dinheiro deu para a mãe dormir e voltar a sorrir. Só que era muito caro a construtora pagar manutenção, a corda arrebentou e ele se espatifou no chão. Nem o ultimo salario do garoto pagaram, a mãe chorou, ia ter que voltar para a rua, mas o menino mais novo, aquele que ela teve filho do patrão, conheceu uma galera no morro, dinheiro fácil e uma arma na mão. A mãe nem desconfio, ele com vergonha também não contou. Até que um dia ele foi pego com a carga na mão, no jornal a culpa era dele e a sociedade falou que ele tinha que morre, a mãe chorando em casa mais um filho que ela perdeu.
"Bandido bom é bandido morto", disse a patroa sem saber que era seu filho. E ela chorou e chora todos os dias.
Não só ela como muitas mães que vivem assim, que são assim, que tiveram seus filhos nessa situação. Vocês podem até pensar que é exagero, mas é a realidade da vida de muitas mulheres.
A sociedade se diz contra o aborto, mas não liga para o futuro da criança que vai nascer, depois que nasce cada uma que se vira. São tantas que fogem de orfanatos, que passam a vida inteira sozinhas, sem ter o que comer, que acabam entrando para o crime por não ter opção, que acabam nunca tendo uma oportunidade a vida e ninguém faz nada para ajudar, só constroem mais presídios.
O caso é países que apoiaram e legalizaram o aborto, não só tiveram uma diminuição no numero dos mesmos, como após 18 anos a criminalidade havia diminuído quase que 50%. Além de diminuir também os números de violência contra a mulher, agora ela tinha autonomia e a massa reconhecia isso.
Então é mais fácil julgar do que apoiar, eu sei, mas nada justifica fazer uma mãe passar por tanta dor, nada justifica a forma como nossa sociedade trata a mulher.

Eu sei, você vai usar o argumento de deus isso deus aquilo, mas deus, nenhum deus, em nenhum lugar do universo, iria aprovar o que acontece todos os dias com as mulheres no mundo e principalmente no nosso país. O direito do corpo é delas, o direito de decidir é delas e ninguém pode tirar isso delas.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Nasci mulher nessa sociedade

Desde que nasce, todos os dias, todos os momentos, a mulher é tida para procriar e servir. Ela é tratada com indiferença, suas habilidades intelectuais são desmotivadas, sua vida gira em torno de romances e fantasias que a fazem acreditar que precisa de um homem ao seu lado. 
Pode ser uma manipulação sútil, uma que a sociedade emprega mais do que os pais, mas mesmo assim, todos os dias, todos os momentos, até a sua morte, a sociedade faz a mulher acreditar, em pequenos pacotes, que ela está ali para servir um homem.... 
Esse controle mental social desenvolve um papel importante na maneira como as mulheres se relacionam com os homens, ou seja, a culpa não é NUNCA da mulher, ela não vai atrás do homem comprometido, ela não quer destruir uma relação, ela só acredita que se ela não tiver uma relação ela nunca vai ser feliz.